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FEICEBUQUE É BOM DEMAIS!

Criatividade, amigos, criatividade. Um "bom dia, sol", um "boa noite, lua"... Feicebuque, realmente, mudou minha vida...

feicebuque

É fantástico esse tal de feicebuque — já estou me adiantando à dicionarização inevitável. Mais cedo ou mais tarde vai estar lá: feicebuque. Como eslaide e leiaute.

Tenho observado bastante o feed de notícias. Eu vivia me perguntando se devia mesmo dizer o que estou pensando. O feicebuque pede pra gente. Será? Devo? Não devo? Acabei concluindo que sempre vou dizer tudo mesmo. Ir na onda da maioria. E o meu professor de feice aprova. Aprovou minha última postagem. Pois acham que não vou escancarar? Vocês não me conhecem! Mesmo! Vou abrir o verbo.

Se estranharam o fato de eu ter um professor de feicebuque, acho isso bem normal. Meus amigos do peito dizem que o cara (chamam ele de "cara") está me levando na conversa. Dizem que o tal professor é um grande picareta. Não acredito, confio nele. Vejo como bem-vinda a sua ajuda — eu que comecei a usar computador há pouco tempo, ter a consultoria de um especialista em redes sociais.

Ontem mesmo falei das cinco vezes que fui ao banheiro. Disse que esqueci de escovar os dentes depois do almoço, que mico! E disse exatamente onde eu estive na hora do rango. Claro, fotografei o meu prato. Denunciei onde não havia papel higiênico. Fotografei e postei todo o meu trajeto para o trabalho, depois para o shopping, depois para o trabalho, depois para casa. Postei no feice as músicas de que mais gostei na Transamérica, enquanto dirigia. Pelos nomes das músicas jogados no google, consegui os vídeos no youtube. Fiz algo inédito também: fotografei meu sabonete. Tenho certeza de que os amigos se interessam por coisas intrigantes. Dizer “bom dia, sol”, “boa noite, lua”, é sucesso certo. “Que tédio” é bom também. Pelo tanto que meus amigos curtiram, tive uma noção boa do que é ser autêntico. Foram dezessete curtições para as fotos minhas cortando as unhas do pé. À noite, antes de ir pro cinema, fotografei e postei meu exercício de esteira. Como eu não tenho esteira, dou oitenta voltas na casa. Tirei fotos do meu joelho e do  cotovelo. Fotos como essas são coisas que pouca gente faz. A Dani Bolina, por exemplo, já viram algum ensaio em que se explore o cotovelo dela?

Pois é, a gente no feicebuque tem de ser criativo.

Se você me perguntar se ultimamente estou produzindo bem no trabalho, vou ser sincero. Não! De vez em quando cortam geral o acesso nosso à internet. Aí a gente desce para o térreo e um acalma o outro. Há gente que fica desesperada... Quando se fica sem acesso, são uns trinta que ficam lá embaixo, suando frio, torcendo para que a felicidade volte.

Voltemos ao professor de feicebuque. Ele fez ótimas ponderações sobre essas postagens de que falei. Disse que eu estou absolutamente certo. Que nunca se deve escancarar demais as coisas íntimas de cada um. Uai! Isso me intrigou. Mas ele explicou. Disse que acertei em dizer quantas vezes fui ao banheiro, sem especificar exatamente o que fiz lá dentro. Disse que deve ficar sempre um certo suspense. Vibrou com a postagem da escovação dos dentes. Educativa. Disse que pelo menos a gente não deve falar da marca da pasta. Quando se fotografar um prato, como eu fiz, que não há necessidade de dizer qual foi a pesagem.

Pasmem, tudo isso que bolei foi na base do feeling. Não havia ninguém me dando as coordenadas. No caso da falta de papel higiênico, ele até me deu os parabéns. Disse que nesses casos a gente deve mesmo botar a boca no trombone e dar nome aos bois. Mal sabe ele que, na falta de papel, tive de usar o meu boné. Isso não postei.

No caso do trajeto, dizem que melhor seria estabelecer um contato com a CBN ou a Band News para enriquecer o dia a dia dos ouvintes, dando a dica de onde o trânsito está mais confuso. Sabem que as rádios hoje em dia estão cada vez mais acreditando nos ouvintes, embora em alguns casos os sacanas mintam só pra ver o circo pegar fogo.

Quanto ao lance do sabonete, ele aprovou também. Disse que nas fotos do álbum “Meu Sabonete”, a gente não deve deixar aparecer a marca. Fica então no ar o tipo que se usa. Fica em suspense também como você lava as partes pudendas ao norte e ao sul, e se faz isso com o mesmo sabonete.

Meu professor de feicebuque adorou o lance de cortar as unhas do pé e documentar. Pouquíssimas pessoas estão fazendo isso. Disse também que a parte de maior utilidade pública foi fotografar o joelho e o cotovelo. Eu tive a oportunidade de constatar o sucesso pelos comentários de três pessoas que me mandaram convites para adicioná-las.

Bem, dá pra perceber que a minha vida mudou da água pro vinho depois de estar na rede social. Feicebuque é muito legal, gente! Difícil é ficar sem ele. E fico pasmo a cada dia com a minha criatividade, que só aumenta. Acho que é por isso que já tenho 647 amigos. O que tem me chateado é que o professor todo mês aumenta o preço da consultoria.

Aristides Coelho Neto, 22 maio 2012

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