TEXTOS DO AUTOR

CLONAGEM — DE DOLLY AO DINHEIRO DE PLÁSTICO

De ovelhas, de macacos, de cartões de crédito, a clonagem anda solta. Fique de olho!

Já passei mais de uma semana sem dinheiro vivo no bolso. Não, não! eu não estava desempregado, felizmente. Estava apenas me utilizando do dinheiro de plástico, os conhecidos cartões que já fazem parte do nosso cotidiano.

No início desta semana, num posto de gasolina, porém, quase tive de devolver a gasolina. Mastercard, o posto não mais recebia. A rede de postos, afirmou o frentista, tem tido problemas e mais problemas de clonagem. Já o meu cartão Visa, do Banco de Brasília, estava bloqueado por suspeita de clonagem. Na última vez, com meu cartão clonado, um larápio fez compras de mais de 2 mil reais numa loja de construção...

Sem dinheiro no bolso, me vi na iminência de lavar prato no posto. Como posto não tem prato, quase que me tiram a gasolina do tanque.

É a quarta vez neste ano que meu cartão é bloqueado por problemas associados a clonagem. Desabafando no banco, a gerente também chorou as mágoas: não foi nem uma nem duas vezes que seu cartão foi clonado. Fiquei penalizado. Só me restou consolá-la. É como que procurar o médico e o médico estar doente.

ClonagemDesabafando com um delegado, ele confidenciou que no dia em que pegaram em flagrante dois meliantes que compraram no supermercado com cartões clonados, estes só ficaram dois dias presos, pela intervenção de advogados.

Estamos no mato sem cachorro. E o problema não se restringe ao Brasil. No final do mês passado, na Alemanha, eram 100 mil os cartões bloqueados, em função de um ataque a bancos de dados.

Bem, acho que era de se esperar que os avanços na tecnologia de clonagem fossem utilizados também no crime.  Afinal, clonagem só de ovelhas (já se vão 13 anos desde a Dolly), se pensarmos bem, não traz resultados tão imediatos como fazer compras com cartões clonados.

Mas se a clonagem beneficia o bandido, de certa forma, traz benefícios também a quem teve o cartão clonado. O seguro cobre o prejuízo. E enquanto a gente espera o novo cartão, deixa de gastar, economiza.

Palavras que consolam...

E viva a tecnologia e os tempos modernos!


Aristides Coelho Neto, 24 de dezembro de 2009

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