TEXTOS DO AUTOR

FALSOS REVISORES

Dentre os revisores de verdade, seria o único com carteirinha, claro que falsa. E vocês sabem que é difícil ver revisor de carteirinha.

Finzinho de agosto, recebo um e-mail interessante. Me veio pelo site novo, que o meu querido webmaster Márcio vai finalizando em doses homeopáticas. Ele disse que não posso e nem devo escancarar de uma vez para o internauta. Este tem de ir saboreando o crescimento da homepage. Mas a página já apresenta resultados. Este é um deles.

A pessoa, do interior da Bahia, preencheu comportadamente a ficha disponível em “contato”, mas sua mensagem trouxe algo de inédito.  Não me mandou logo de cara um texto para revisar: queria primeiro que eu informasse quantos textos e livros eu já havia revisado.  E justificou a pergunta — já teria sido vítima de “falsos revisores”.

Bem, nunca me preocupei com quantos textos já revisei. Apenas informei que havia um currículo meu no site. Falei dos livros com os quais tive muito gosto de trabalhar.

E fiquei pensando, pensando... falso revisor poderia ser um montão de coisas. Um indivíduo que se faria passar por revisor para pegar o dinheiro do cliente. E não apresentar niente de trabalho. Sumiria do mapa. Um golpe. Ou um sujeito que se apresentaria como revisor, trabalharia o texto, finalizaria, e o resultado... um horror.

Poxa vida! o que seria mesmo um falso revisor? Quem sabe um cara perverso, que em vez de sanear o texto do cliente, acrescentaria muitos erros, e destruiria a única versão original do trabalho. E o cliente seria levado em camisa de força para o hospital, ao perder um texto que levara vinte anos para escrever. E do qual não fizera backup. O revisor, sádico, assistiria a tudo pela tevê: internação em grande estilo. Na mão esquerda, uma cerveja long neck, na mão direita, um punhado de tremoço. Esse revisor mastigaria sempre com a boca aberta e não usaria guardanapo, mas a manga da camisa. Como nos filmes. Adoraria cuspir no chão e principalmente em textos. Dos best-sellers e clássicos, ele arrancaria as folhas e usaria para forrar o chão no lugar em que o gato costuma fazer cocô. Só a bíblia ele respeitaria, calçando o pé da cama com ela.

Um falso revisor não teria princípios, só fins, e os mais torpes. Dentre os revisores de verdade, seria o único com carteirinha, claro que falsa. Vocês sabem que é difícil ver revisor de carteirinha.

Só fui parar com essas elucubrações às três da manhã. Encerrei quando me pareceu ter ouvido uma vozinha: “A tal pessoa só lhe mandou arquivos pps e de vídeo, entupindo sua caixa de e-mails, nada de textos para revisar. Quando se tratar de falso cliente, pare de ficar pensando em falso revisor...”.

Pronto, aí eu dormi.

Aristides Coelho Neto, 5.9.2009 

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